Estou voando de Jacarta à Balikpapan (Indonésia) e fiquei observando a vida, as crenças , os costumes, a culinária e a sobrevivência humana.  Tudo vai mudando de um lugar para outro. Como tudo é relativo, ainda mais com a terra redonda, e o sol volteando o planeta, vai escondendo de nós outros povos que estão do outro lado da bola.  Dando-nos horas diferentes, dias diferentes, povos diferentes e tudo está seguro, pela tênue linha do tempo.

E o trópico é o mesmo. Com seu calor e umidade. Com florestas, rios, insetos, com seus bichos e fantasmas. E o homem mais pobre, que nas amenidades do clima, nem por isto, deixa a sua alegria. Viver do jeito que pode, vestir roupas coloridas, mulheres de cabeças cobertas por crenças. É o nosso mundo que pode ser escrito fantasticamente. Com incompreensível realidade, que fere povos distantes, como a estranheza da morte.  Uma coisa se mantém inalterada nesta gente tropical é sua fisionomia de um sorriso alegre e a face entristecida de outros pelo sofrimento e exclusão.

Tenho a impressão de que a humanidade está passando por um novo momento transformador. Quem sabe dizendo, mesmo sem grandes avarias climáticas, dos mares ou da própria terra, alguma coisa mexe com o inconsciente humano, com grupamentos humanos.

E o que irá acontecer? Não tenho segurança para dizer, mas, há esta inquietação sutil em muitos países. Economia que não cresce. As guerras com milhares de refugiados. O aumento do número de desempregados. Enquanto isto, a Terra indiferente continua a girar. Deixando-nos mais distante de todos.

Ao mesmo tempo que a tecnologia avança desesperadamente, o homem atônito aguarda soluções. E por isto a descrença na política, há insatisfeitos, e eles mesmos não sabem o que querem, mas, estão insatisfeitos.  E nós governadores dos trópicos estamos aqui em Balikpapan discutindo – governo, clima e floresta. O substrato natural e indispensável para dar ao homem no trópico que deve se manter apegado a sua origem e a natureza.

 

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