Ferreira Gullar (Domingada)

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1. Nem sei o porquê, mas me deu vontade de homenagear hoje, neste domingo, o poeta maranhense Ferreira Gullar. Ele por si mesmo era uma figura meio escrachada, um rosto fino e testudo, cabelos grandes e desgrenhados. Tinha na sua fisionomia, claro ou escuro, a cara da poesia, que saía dele como se fosse um trote de cavalo ferrado, no asfalto.

2. Adoro o seu Poema Sujo, pela irreverência, simplicidade e por ser profundo; uma mistura de tudo. Vamos ver: “turvo/turvo/a turva mão do sopro/contra o muro/escuro/menos escuro… menos que escuro/menos que mole e duro/menos que fosso e muro: menos/que furo/escuro/mais que escuro/claro/ como a água? Como a pluma? /claro mais que claro, claro:/ coisa alguma/ e tudo/ (ou quase)…”

3. MOÇAMBIQUE – a maior tragédia do país. Matou centenas de pessoas e deixou cidades completamente destruídas. Um ciclone (tempestade de ventos muito violentos, um redemoinho medonho, girando em turbilhão, força imensa, arrancando tudo por baixo. Hora da solidariedade mundial. Porque quando um homem sofre, a humanidade toda sofre.

4. O homem é bom e ruim também. Como se fosse uma moeda. A gente vive no Planeta Terra, que tem uma composição favorável à vida. O homem quer destruir tudo. Joga lixo por todo canto. Desmata o máximo que puder. Polui os rios. Os mares. Destrói o próprio solo. E por aí vai. A mudança climática vem.

5. Encontrei meus conterrâneos de Dianópolis (TO), dia 24 de março, aqui em Brasília. Missa em comemoração ao nosso padroeiro São José. Igreja cheia. Músicos e vozes da nossa cidade. Um reencontro. Muitos abraços. Tinha gente que não via há cinquenta anos. Outros, não me lembrava mais quem eram. E nem o nome. Mas também a maioria tinha 5 a 10 anos. Hoje, com cinquenta a sessenta anos. O tempo é impiedoso com a gente.

6. Hagahús Araújo estava na festa. O sertanejo educador. Ensinou sem ser professor. Indignou-se no início dos anos 50 com a pobreza e o analfabetismo. Abrigou adolescentes pobres no Instituto de Menores, obra fantástica. Casou-se com a professora, Dona Josa que o ajudou em sua obra. Este homem mereceria um Prêmio Nobel. É um ser geneticamente modificado, um insurgente, benfeitor glorioso. Ele mostrou que a educação é salvadora.

7. Estou aqui agora, às 2h30  da manhã, escrevendo este texto, agarrado na minha insônia, terminando de ler A Revolução dos Bichos, de George Orwell. E constatei que há governos paralelos em nosso planeta, mais silencioso, mais organizado, animalizado e vegetalizado, reinados evoluídos (bichos e plantas).

8. Estou de olho no Ministério da Educação. No olho mágico como o das portas de entrada. Quem olha de dentro vê, quem olha de fora não. No MEC é o contrário, só quem vê que as coisas não estão na órbita certa, são os de fora. Uma pena. Porque a maior reforma que o País necessita é da educação. De que adianta todas as outras reformas, se não investirmos na melhoria da qualidade da educação? – Nada.

9. Eu preciso ter esperança em nosso país. Porque do contrário nem precisaria viver. E nem ser Senador. O que me move é justamente isto, a imensa possibilidade, o imenso potencial de que dispomos. Uma terra em que  se plantando, tudo dá. A escola boa é a base de tudo. Esta revolução só depende de vontades. E subir degrau por degrau. Para daqui a 30 anos sermos um país mais humano, mais feliz, mais justo.

10.Encontrei com José Alencar na Missa de São José. Ele é genial. Um poeta fantástico. Advogado também. Até aí tudo bem. A conversa foi andando. Ele me disse que lê alguns textos meus. E me disse: Confúcio, tá faltando borboletas em sua escrita, lírios e jasmins. Eu falei: – Pô cara! Eu sou um singelo Escrevinhador Geral da República. Prometi de agora em diante, colocar pelo menos o cheiro do jasmim.

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