(02 de fevereiro de 2018)

Quando menos esperei a agenda furou completamente, porque não se controla o tempo, e muito menos o destino.

Quando menos esperei, o ministro depois que tinha confirmado, disse que não viria mais.

Quando menos esperei, pensei na angústia de duas mil famílias que não iriam receber  suas casas no sábado.

Quando menos esperei, vi com meus olhos que o poder tem hierarquia, de cima pra baixo, quem pode manda e quem não pode, obedece.

Quando menos esperei, tive que sair de são Francisco do Guaporé para Seringueiras por causa da neblina que cortinou o tempo.

Quando menos esperei, não por mim, mas pelas circunstâncias, mudei a minha agenda do dia completamente.

Quando menos esperei, ao invés de Mirante da Serra fui parar em Buritis, e valeu a pena o imprevisto, senão, não veria o hospital com as obras paralisadas há quatro anos.

Quando menos esperei, tive que dar uma volta de cem quilômetros para chegar à Campo Novo de Rondônia, por causa de um bueiro que rodou no aguaceiro.

Quando menos esperei, vi dinamites estourando pedras e o gado pastejando na abundância verde.

Quando menos esperei, me vi no meio do povo abraçando gente amiga que há muito não via, e recebi a notícia triste que Marcelo da Valdeci morreu debaixo de uma árvore.

Quando menos esperei, tinha colocado o meu dia de cabeça pra baixo o que não me fez nenhuma diferença.

Quando menos esperei, cheguei em casa, abri uma garrafa de vinho tinto e tomei duas taças com Maria Alice. O brinde, no rigor de braços entrelaçados em xis.

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