Dias atrás, tive em Diamantina, Estado de Minas Gerais, ainda não sei o porquê do governador ter me chamado para receber a medalha JK. Aqui, neste ponto exato, da curva da minha vida, entrou em mim o desejo de ir lá recebê-la.

Dentro de mim, que ninguém pôs, tem a nutrição de muita admiração que tive e tenho pelo sonhador presidente Juscelino. “Maismente” falando, deve ser pelo tanto que meu pai repetia o nome de JK com imenso orgulho, além de ter sido candango na construção de Brasília.

E nesta afoiteza  de vontade de ter na vida está honrosa comenda, pra mim honrosa de verdade, fui  à Diamantina saber que JK nasceu naquela cidade cercada de morros e de vales.

Além de se ver os lajedos de pedra da serra próxima refletindo a luz do sol de cegar à vista da gente, é a cidade das ladeiras, num sobe desce sem fim. Fazer caminhada nela é um suplício doloroso, mas por outro lado, tem o conforto de muitas igrejas católicas, que vão adoçando as dificuldades. Elas, construídas nos tempos dos diamantes, por certo pela mão de escravos e com dinheiro de doação dos barões dos minérios, gente indulgente, querendo a benemerência do céu quando a vida se fosse.

E o menino Juscelino Kubitscheck nasceu por ali, atracado com a pobreza da mãe viúva, mas, mulher honrada e fibrosa. Ele, na sua inquietude, não se conformava em subir e descer ladeiras levando recados e encomendas da mãe para suas clientes. E foi crescendo meio inconformado, achando Diamantina pequena demais, para o desvão dos seus pensamentos luminosos, encardidos pela falta de dinheiro.  Olhando bem para Diamantina eu percebi que não tinha outro lugar melhor para Juscelino nascer, porque força nas pernas ele tinha de sobra, visão brilhosa de horizontes vastos. A visão ampla de um mundo simples lhe dava uma dimensão muito maior.

Cercada de queijos e doces por todos lados, ele levaria para onde fosse o sabor das origens rurais e do povo simples com o sotaque inigualável. “Bão dimais sô, mais mió é a geléia de mocotó”.

JK trouxe na sua carga a purificação da história, com a dinheirama que correu por muitos anos, vinda das grotas das serras e vales, por seu pai, garimpeiro, tendo no sangue a aventura, e ele deu seguimento.

Lá fui eu ver de perto o ninho do JK, o que me deu vontade de chorar, ao medir o seu esforço e coragem e mais ainda a oportunidade de lutar e fazer o que fez de bom pelo nosso país.

Pois deu início ao Brasil das cidades, da indústria e iniciou o maciço êxodo rural. Mostrou novos rumos para o nosso país e ainda mais o dedo forte para o interior, o que se chamava de terras desconhecidas. (Mato Grosso, Pará, Goiás). Diamantina agora faz  parte das minhas ladeiras da vida e de suas pedras que brilham como se fosse fogo. E oficialmente, tenho JK para colocar no pescoço nos momentos mais solenes.

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