Amanhecemos no mundo (universo) praticamente do mesmo jeito de ontem. Mas, parece que não. Parece que hoje, dia primeiro de janeiro de 2018, é um dia extraordinário, caído de algum lugar (meteoro) e que todos nós (brasileiros), hoje, descarregados de ontem, descarregados do ano passado, estamos boquiabertos com tanta beleza. E  que este ano, será estrelado, céu bordado de fogos.

Será que hoje, ano novo, nós todos estamos renascidos? De espírito lavado, mente nova e brilhante, querendo que os eventos do fim do ano passado, sejam o nosso admirável mundo novo?

É meu caro, antes fosse!

Ainda hoje, meio inebriado de encantos artificiais, não  caímos na realidade. Mas amanhã, com certeza, a vida continuará a mesma. Porque ninguém ainda se arrependeu dos seus pecados acumulados ao longo do tempo.  Nem irá mudar seus hábitos assim num toque de caixa.

Ah! como seria bom!

Como o nosso querido País agradeceria esta magia. As ondas do Natal mudando a mente das pessoas, para que entendessem que um país é constituído pela soma de cada indivíduo.

Não vou falar de coisa ruim.

E nem dos nossos números bárbaros. Somos assim, porque somos assim, como se fosse um traço do destino. Pragas e bonanças misturadas. Uma salada exótica que deglutimos gostosamente.

Agora, já estamos no ano de 2018 e ele tem janeiro e tem dezembro, tem chuva e tem sol quente. Tem gente que precisa viver. Tem guerra por debaixo do nosso solado. O encanto natural, Amazônia impávida e colossal. Mas tem a dureza da pedra de cada dia, a esperança, borboleta colorida, que dança ao vento. Tem o dia, o hoje, para que possamos construí-lo bem melhor do que os sonhos delirantes e patrióticos.

Tem um bicho, ainda bravio, dentro de cada um – ainda meio arredio – que se chama atitude, ponto da virada, para que o nosso País cavalgue na égua baia, chamada “vergonha”. Vergonha de parecer uma coisa e ser outra. Tal qual a cavalgada de Pirenópolis.

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