O meu sábado

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Eu acabei de ler alguns poemas de Manoel de Barros. Tenho vontade de morrer, ao ler Manoel de Barros. Por que tanta sabedoria em bulir com as palavras e com as observações? Eu não me comparo. Tudo que ele expressa em versos coloquiais vem do simples. Como o “simples” é grandioso.

(Agda Pantoja) – Você pode falar de educação. Professor você não é de jeito nenhum. Ainda bem. Tem muitos professores mortos em sala de aula. Não veem nada. Não percebem indisciplinas. Não acompanham alunos de baixo desempenho. Não assumem responsabilidades. Precisamos dos ainda “vivos”.

Eu queria mexer no pino do centro da sabedoria. Ir lá dentro dos seus miolos, com minha chave de fenda, distorcer parafusos. Dos alunos e dos professores. Andei por aí caçando peças no ferro velho, várias, para encaixar minhas invencionices na arte de ensinar e aprender. Um encanto entre os dois, professor e aluno. Eu não encontrei o chip do entendimento. Mais encontrei um carburador velho, que talvez possa me servir, para ligar mais fácil à ignição. Ele me ensinou que dois mais dois (é ou são) quatro.

O chão é a verdade. Vem por aí o debate sobre a reforma da previdência. Tá tudo bem. Sem problema nenhum, porque precisa mesmo de ajuste. Sim. E aí? Depois dela a economia irá crescer? Ótimo. Mas, depois de aprovada, o que fazer, de verdade para o Brasil melhorar? Virá em paralelo um compromisso verdadeiro com a melhoria da qualidade da educação? Porque se não vier, não vale a pena reforma nenhuma, melhor que se aceite o caos.

Hoje, sábado, é o dia da Venezuela. Qual o Presidente será mais presidente? – Maduro ou Guaidó? Eu só vejo a verdade mostrada. Somente a verdade que nos interessa. Por isso fico com vontade que o Chile, Peru, Colômbia, Paraguai, Argentina e Brasil, entrem lá a força, e levem comida e remédio. Paro um pouco. Penso. O Brasil não pode fazer isto. Primeiro precisa resolver a nossa guerra interna. A guerra civil que nos atormenta todos os dias. No Rio de Janeiro nosso Exército, não resolveu. Primeiro – o meu, depois o seu.

Vou chamar Manoel de Barros, embora morto, para treinar os nossos professores. Tenho certeza, que ele escolherá águias, calangos, flores e silêncios para ajudá-los. E tudo será muito simples. Soltar os passarinhos para cantar nos pátios. E deixar todo mundo reparar e absorver sabedoria. E tudo deve acontecer numa roda, bancos e cadeiras, onde não haja nenhuma palavra dita. Só olhar. Olhar. Olhar.

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