Fui conhecer o Parque de Corumbiara. Só ouvia falar dele e dos seus encantos. Não fui sozinho, têm por lá bichos de todos os tipos. Vou passar para o plural, para ser verdadeiro. Pousamos em Cerejeiras e pegamos a estrada de chão, com previsão de chegada a um casebre abandonado, sede da antiga fazenda existente na região, o tempo previsto de duas horas e meia, no meio do Parque, chamada casa do Bené.

Dito e feito foi o tempo da viagem. Eu não conhecia o Parque e não me perdoaria se não fosse lá, e conhecer parte dele, já que é muito extenso, com seus vários biomas, parecendo uma brincadeira geológica, hídrica e florestal. Assim mesmo, deu para sentir sua grandeza, de mais de 300 mil hectares.

No passado foi uma fazenda de gado, proprietário de Mato Grosso, criava gado no estilo pantanal, no tempo chuvoso mudava o gado para regiões altas, no tempo seco voltava com o gado para os baixios e cerrados.

No ano de 1990 o Governo Jerônimo Santana criou por decreto o Parque de Corumbiara, com certeza, até hoje, não pagou nada, se é que havia algum direito. Foi tocado por uma genialidade incrível, só vista e avaliada a grandeza do seu gesto hoje, quando se olha para todos os lados. Depois da travessia do Rio Corumbiara, ponte de madeira, bem conservada, se chega à antiga casa da Fazenda, conhecida com o nome de Bené, antigo dono da propriedade.

Ainda se vê no entorno plantio de capim humídicola, que cobre o terreno como um tapete verde, impedindo crescimento de ervas daninhas. Um curral ainda armado, com madeira de lei, itaúba, um batelão jogado na beira do rio, nele se transportava o gado para o Estado do Mato Grosso, por água.

Fora isto tudo, o Parque está preservado, pela misericórdia de Deus e um herói chamado Dimas, sargento aposentado da Polícia Militar, homem de moral e respeito, que consegue segurar os invasores. De todas as bocas, só ouvi elogio a sua pessoa. Ninguém entra. Mas, os bichos não conhecem os limites do parque e atravessa tudo e termina entrando nas fazendas vizinhas, onde a caça rola livremente. Foi uma pena o nosso Governador Jerônimo não ter aumentado ainda mais a reserva,  pegando todo o bioma assemelhado ao Parque.

Agora, aqui, não tem como ficar descrevendo papagaios, matrinchãs, piaus, lobos, veados catingueiras e galheiros (cervos de rabo branco), lagartos enormes, cobras, aves de todo jeito, onça pintada, preta e vermelha, tatu, tamanduá e lobo guará. E muito mais, que não me cabe aqui narrar. A vegetação é variada e brinca de um mosaico colorido, como pintura clássica. Eu me reencontrei com o cerrado do Tocantins em muitos lugares, até mesma a vegetação do Centro Oeste.

A comida foi feita ali mesmo, tendo como base sopas e peixes fritos. A dormida em rede ou barracas de plástico. Não há nuvens de mosquitos sanguinários, mas, muitos maribondos.

A conclusão é que o Parque está preservado. Mas, que não pode ficar assim, somente preservado. Ele deve ser preparado para o mundo inteiro,  de maneira organizada, para os diversos tipos de turismo.  Fiquei sabendo que já foi feito um estudo completo da flora e dos biomas. Vou localizar e ler.  Ainda volto para sobrevoar. Fiquei sabendo que bem perto há 200 alqueires (sic) de um buritizal nativo.

 

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