rua real

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não repare o meu texto. ele hoje está desobediente. de propósito. sem regras de maiúscula e minúscula. eu já tenho por formação uma vontade imensa de transgredir. de escrever fluentemente, o que me vem à cabeça. sobre qualquer coisa sem corrigir nada. hoje, o tema é a economia real. a economia da rua. economia da sobrevivência. tudo que se vê na rua e se vira a cara. para fingir que não é brasil varonil.

em cada canto da rua, pode ser tudo,  se vê empresa, se vê não empresa, quase tudo, quase nada.  sendo que a rua,  a pessoa para viver e se virar não precisa de placa de loja, nem de crachá,  nem prédio alugado. não  precisa de nada. só  do espaço, simplesmente. as pequenas lojas das ruas são  feitas de corpos humanos, soltos em  vozes, gritos e de movimentos enérgicos.

as cidades foram se encontrando, por si mesmas. não interessa querer entender o significado do acontecido. porque ninguém sabe explicar a ordem natural das coisas.  as cidades foram ficando assim, por conta e risco próprios. foram adquirindo costumes. regras que não estão  na forma da lei. porque a lei é para todos. mas, as cidades são assim mesmo, evidentes, divergentes.

o homem é o mesmo. analisado numa mesa de anatomia de qualquer faculdade de medicina. é o mesmo na fisiologia, porque por dentro tem hormônios, reflexos, bile, saliva. mas, cada homem, divergente em extremos, não tem o mesmo abastecimento de necessidades.  porque para sobreviver a pessoa precisa ser bem inovadora.

o ouro aqui é o básico elementar. indispensável.  de qualquer jeito a coisa não é fácil. a divergência que a vida se instrui. aqui mesmo perto de casa tem uma família  que tem um restaurante debaixo de uma arvore. passei por lá ontem. vi todos alegres. sorrindo muito. vendendo simpatia para os seus clientes.

a comida vem no isopor, a carne é assada ali mesmo,  o cliente come em pé ou sentado num banco.  sete reais o almoço. debaixo da arvore.  e todo dia eles voltam. e vai se andando pela rua, vendo a criatividade da economia subterrânea.  é tão variada. as grandes lojas, formais, tem sua própria órbita. a frente do grande mercado, tem o vendedor de panos de prato. vendedor de  água, pipoca, pé de moleque, garçom de rua com bandeja e gravata, asfalto quente, enquanto o semáforo não abre. ele vende.

as calçadas tem valor incrível nos negócios informais. uma economia não vê a outra economia. uma e outra se beneficiam mutuamente. não se reconhecem. e não querem se reconhecer. não cabe aqui neste post tudo que pode instruir a economia da exclusão. enorme. digna. Sem normas e leis. ela existe. é forte e necessária.

uma mãe solteira, pobre, que consegue criar os filhos com o básico, é antes de mais nada, uma grande empreendedora. grandiosa.

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