Tecnologia e o tempo

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  1. Cada tempo com sua tecnologia.

Nem é de se comparar a tecnologia de hoje, com a tecnologia dos anos cinquenta e nem de tempos remotos.   Eu mesmo, nunca havia ouvido falar nesta palavra: – tecnologia.  Hoje, o menino já vai aprendendo a mexer com as mãos, e os pais já lhe compram um presentinho luminoso, daí em diante, a cada mês, o brinquedo vai evoluindo, até mais tarde chegar a um celular.

E tem muita invenção bacana que tem facilitado diariamente a vida do homem, principalmente as ferramentas de trabalho. A utilidade de um furadeira, lâmina de trator, carriola puxada por máquina, plantadeira, colheitadeira, serra circular que abre um tronco em minutos. Eu ficava admirado com o monjolo, movido a água corrente, batendo arroz no pilão. Nos encanamentos de água nos tubos feitos de  caules de macaúba, encastoadas uns nos outros.

O carro de boi de quatro a seis juntas pareadas, encangadas, puxando areia, pedra, mercadoria.  A caixa d’água no meio da praça, onde todo mundo com pote, lata, vasilhame de ferro ou alumínio carregava  na cabeça água para banho, cozinhar e lavar roupa. A lenha que vinha do mato no lombo do jegue, a enxada, o facão, a foice, a cavadeira.

A grande tecnologia do meu sertão era o engenho de moer cana. Você nem imagina a arte e o oficio da construção. Coisa difícil de imaginar, moendas de troncos polidos, ladeados, quase encostando uns  nos outros. Grandes eixos de madeira inclinados, atados aos bois ou cavalos. Iam rodeando. O  engenho tinha seu canto, seu chiado, gostoso de ouvir. A garapa escorrendo, indo pro tacho, o fogo, a rapadura, o açúcar mascavo, o melaço.

E do outro lado, a estação da desmancha da mandioca. As mulheres descascando, raspando o tubérculo e amontoando. A roda, a correia, o ralo, o bolinete, a massa da mandioca espremida na prensa, no tapiti de palha de buriti, escorria um líquido esbranquiçado e  assentava ao fundo o polvilho (tapioca). A produção da farinha, que era muita, e se guardava nas tulhas para o ano inteiro.

Cada momento o homem tem a sua tecnologia.  Imagino os egípcios na construção das Pirâmides. Pedras de toneladas, cortadas, aparadas, erguidas. Colocadas no lugar certo e resistirem ao tempo. Claro que o robô é incrivelmente fantástico, mas o monjolo também foi fascinante.

 

 

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