Quando era menino eu achava tudo tão longe. Quando era menino achava as casas tão grandes. Uma légua era lonjura demais. Subir a rua para dar um recado, era tarefa árdua repetir o recado sem distrair do assunto. Como era grande a casa da minha avó, salão de botequim, quartos de dormir, banheiros no fundo do quintal, um bananal, chiqueiro de porcos, galinheiro, dispensa de cozinha e área de serviço. Quando voltei, a casa não tinha mais encanto, tudo tão desprovido de grandeza, de certa forma deprimida, poucos movimentos de vida, a não ser a decadência do tempo. A capela parecia tão grande, a escola inteira, o pátio, área coberta, salão nobre, nada mais tinha o mesmo tamanho. Depois da minha volta, esqueci o presente retraído e preferi ver as coisas com olhos de menino. Não gostei do encolhimento que o tempo faz com as coisas. Porque cabeça de menino tem aritmética de menino e se mistura metro com centímetro e ficam guardadas ilusões numéricas.

 

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