Travessia (domingada)

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1. Não há coisa melhor do que uma caminhada na madrugada. Ainda mais com uma turma animada. As gargalhadas que despertam bairros como uivos de loucos ou cães. E assim vai passando em revista a cidade inteira.

2. Hoje, por exemplo, descobri uma boate nova em Ariquemes, em um lugar improvável, ali no encaixe das Avenidas Diamante e Jaru, bairro São Luiz. Mais parece uma cervejaria. Às seis horas, as moças saindo em grupos, falando alto, sapatos nas mãos e roupas ensopadas de suor. Isto é o que chamo de felicidade. A plenitude hormonal se esvaindo pelas grotas e pastagens da região.

3. O poder, a moderação e o cuidado com as palavras. Difícil fazer remendos depois. Juntar gente para desdizer é mais custoso do que medir o que se diz com fita métrica. Jarro de barro quebrado, Durepoxi não remenda.

4. O poder também sorri. E é preciso sorrir, mesmo diante da adversidade. Múmias, bastam as dos faraós. Eu não gosto de visitar estátuas em museus de cera.

5. Estava numa entrevista de rádio em Porto Velho. Um cidadão entrou no ar e me perguntou sobre o Restaurante Popular da Zona Leste. Disse que foi fechado. Eu fiquei engasgado. Não sabia responder. Vou apurar. Obra de extraordinária serventia para o povo pobre. E deve ser reaberto imediatamente.

6. O Barco hospital Walter Bártolo,  atende populações ribeirinhas do Rio Mamoré, indo de Guajará-Mirim a Pimenteiras em Rondônia.  Um trabalho fantástico às populações isoladas do nosso País. Atende também ao povo boliviano da fronteira. Precisa retomar o serviço. Há 90 dias parado. Não se pode repetir a mesma história de outras carcaças de barcos apodrecendo na beira do rio. O Brasil não pode se dar ao luxo do desperdício de dinheiro público.

 

7. Mulheres – Está passando do limite o que  se vê  diariamente na mídia. Horrores contra as mulheres,  desde espancamentos brutais e desumanos até  assassinatos. Chegou a hora do basta. E que vizinhos ou qualquer pessoa, ao escutar um grito, que aja de imediato para a proteção da mulher. Está ficando feio para o nosso País. A omissão também é crime.

8. Cobra Norato (Raul Bopp) poema grande. Simplesmente, maravilhoso. Um trechinho para vocês: “quero contar-te uma história/ Vamos passear naquelas ilhas decotadas? / Faz de conta que há luar… A noite chega de mansinho/ estrelas conversam em voz baixa/ Brinco então de amarrar uma fita no pescoço e estrangulo a cobra…” agora leia o poema completo.

9. Do beco de Vila Rica – Cora Coralina – também recomendo a leitura -“No beco da Vila Rica tem velhos monturos, coletivos, consolidados, onde crescem boninas perfumadas. Beco de Vila Rica baliza da cidade, do tempo do ouro. Da era dos “polistas”, de botas, trabuco, gibão de couro” e por aí vai.

10. Chegou a hora de o Brasil se repensar. Tem sete Estados “quebrados”, nem sei quantos municípios também. E com a toada do carro de boi outros virão também a se quebrar. Como resolver esta equação? A matemática é uma ciência exata. Não dá para ficar discursando a vida inteira. Teremos que fechar a equação. Do mesmo jeito que se cura um doente, com remédio amargo e injeção. E se precisar cortar, a gente corta. Depois sutura e sara.

 

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