A sorte

A sorte

Fico imaginando o que seja sorte. O que mais se ouve é que fulano e beltrano tiveram mais sorte. Sorte porque subiram na vida, como tivessem subidos mais degraus na escadaria.  Então, vem mais esta, o que venha ser subir na vida. A gente vai andando na horizontal, um aclive, decline, a planura e não se sobe tanto ao andar.

E se subir numa árvore? Um pé de castanheira, um angelim amarelo do Amapá, estarei subindo na vida? Sei lá. Subir na vida precisa ter sorte. É como se encontrar uma bolsa de cheia de diamantes azuis, ali jogado no gramado do bosque.

E lá me vem à cabeça, os diamantes azuis ou se acertar na “Mega-Sena da Virada”, por acaso me deixaria bem feliz, poderia, inclusive, me dar dez anos de vida a mais, ter mais saúde, amar intensamente, com os bolsos cheios de dinheiro e sorte. Será? Os milionários são ensimesmados, ilhados, temerosos, desconfiados – tiveram sorte, mas, não a paz.

Padre Magalhães, certa vez me disse: – a vida é um pau de sebo com uma nota falsa na ponta. Diante disto, melhor não se esforçar tanto em busca da fortuna, subir o pau de sebo, mas, subir na vida tendo sorte.

E as pessoas que nascem com talento para a música, encantar as pessoas com a sua voz espetacular, só pode ser um acontecimento anatômico nas cordas vocais, sorte deles, deixando-as em afinamento melodioso, na forma de um instrumento musical. Porque a voz humana é complementada pelos instrumentos e outras vozes.

E Gabriel Garcia Marques, contador de histórias, que se fechava em si para ver o povo na lida dos seus dias, os bananais colombianos, as estratégias de Bolívar, a vida dos seus avós, o Rio Madalena.

Há muita coisa que não se explica bem, com auxílio deste evento chamado sorte, conteúdos de nascimento, que são inexplicáveis. Os achados no transcurso da vida. As oportunidades que surgem e são aproveitadas. Como se diz, o cavalo arreado. O homem que veio bem de baixo, que nasceu com uma calculadora no cérebro e trabalha o admirável mundo do dinheiro e sobe no pau de sebo e encontra a nota verdadeira.

A sorte existe.

Só não sei explicar como colocá-la numa equação matemática. Agora, subir na vida, tem a mesma sensação de se cavalgar em círculos para se chegar ao mesmo lugar.

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