Colapso
Me cai do céu, agora, um lapso Rabisco o papel com lápis Porque o grafite não tem Memória O lapso é tão importante Como o acontecimento feito Maioria das decisões surgem dos lapsos e esquecimentos
Me cai do céu, agora, um lapso Rabisco o papel com lápis Porque o grafite não tem Memória O lapso é tão importante Como o acontecimento feito Maioria das decisões surgem dos lapsos e esquecimentos
Ser um ser, pode ser um ser Se quiser será Mais até mais que um ser humano Muito diferente de um insignificante Muito mais interessante não ser mal comparado O insignificante, por mais que queira Já tem a inconsciência que é o mais importante
Escrever de trás pra frente deve ter o mesmo sentido de escrever de frente pra trás. Só por uma questão de ângulo. E se virar a página de cabeça pra baixo é que se pega a lógica. No entanto, eu mesmo sempre gostei de ler no reverso porque ele representa o contrapensamento
Pode vir andando nas páginas frias da L4 curvando a paisagem de sombras e no caminho tem cheiros que mudam. Tem montes de papelões, latinhas e gente quase humana debaixo do relento. Pode vir andando pela L4 vistoriando certas coisas injustificáveis.
O ato de esperar é tão bom o exercício de esperar como se fosse aula de musculação porque cresce em mim, quando espero, um pé de jasmim daí a pouco as orquídeas chegam com elas as coisas mudam e dá até para se ver estrelas cadentes e tudo é tão bonito esperar é bom porque […]
Já tive um país pequeno, tão pequeno que andava descalço dentro de mim. Um país tão magro que no seu firmamento não cabia senão uma estrela menina, tão tímida e delicada que só por dentro brilhava. Eu tive um país escrito sem maiúscula. Não tinha fundos para pagar a um herói. Não tinha panos para […]
O gin me trouxe enorme sensação. ele, água tônica, hortelã, limão. aos goles lentos, ouvindo jazz escolhidos por Rui Castro. em devaneios me deixei levar. fiquei deitado, coberto, somente o pensamento deixei de fora, curtindo o de que mais necessitava – a leveza do ser ainda humano, num país, infelizmente, desajeitado. hordas humanas abrigam beirais […]
Há tantas palavras em teus olhos que é anulado o silêncio insistente em tua boca. Que teimosa paixão adentra meu peito! Colecionadora de ilusões atrozes, dona de infundado sentimento ! Confesso aquilo que já não cabe no peito, agora transcendental e lúdico. Não me curte ilusões doces até que as possa incorporar. Estava flutuante até […]
há buracos negros no universo, funil de forças que transfixa o nada há buracos negros nas pessoas, plantas e animais que não conseguimos explicar pelas leis da física há puxões invisíveis entre os corpos, nos olhares, nos abraços mesmo com todas as divergências há aparente equilíbrio que não é a realidade porque não conseguimos entender […]
andei hoje na rua na minha dura rua viva e coletiva sentindo o seu cheiro abstrato fui subindo os contornos que as esquinas mostram lá dentro de mim, não sei onde estava você sentada de soslaio me acompanhava serenamente como se tivesse, apenas, olhos acesos quando retornei o dia havia irrompido mesmo assim, você em […]