A situação é grave. Muito grave. A escassez de água potável já ameaça cidades inteiras de Rondônia. Atualmente, pelo menos 16 municípios convivem com esse risco iminente. Igarapés secaram. As nascentes, então, nem se fala — muitas já desapareceram silenciosamente.
Lembro-me de uma conversa com o Dr. Adilson, quando ainda atuava como promotor de Justiça em Jaru. Ele me disse, com a seriedade de quem conhece o problema de perto: “O Rio Jaru poderá secar em 20 anos.” À época, soou quase como uma profecia absurda. Afinal, como imaginar o fim de um rio tão carregado de história? Só o tempo dirá se o alerta foi exagero — ou lucidez.
O caso mais dramático ocorreu em Espigão do Oeste, onde, em diferentes períodos, a população precisou ser abastecida por carros-pipa. Situação semelhante viveu Rolim de Moura há cerca de dez anos, quando o sistema entrou em colapso. Foi um verdadeiro corre-corre para garantir água nas torneiras. Episódios assim deixam claro: prevenir é sempre mais simples e mais barato do que remediar.

Proteger e recuperar as nascentes deveria ser prioridade absoluta. Cumprir as leis ambientais, manter as matas ciliares em pé, é um investimento — não um obstáculo. Recuperar depois custa muito mais, quando ainda é possível.
E as pastagens? Onde antes havia aguadas correntes e limpas, hoje restam apenas açudes cavados às pressas pelo bico da escavadeira. Água parada, quente e turva, oferecida ao gado durante a estiagem. O retrato da degradação está diante dos nossos olhos.
As evidências são claras, visíveis, incontestáveis. Só não acredita quem prefere não ver.