Quando a vida perde valor

Quando a vida perde valor

Meu Deus do céu, que momento a gente está vivendo?

Eu precisava falar isso assim, de perto, como quem senta ao lado e compartilha uma tristeza.

Não é texto para discurso, nem para anúncio, nem para encaminhamento formal. É um desabafo. Uma inquietação que eu precisava dividir com todos.
Sou de Brasília. E o que a gente tem vivido machuca.

Aqui, neste fim de semana, um jovem morreu depois de dias internado, vítima de agressões que começaram por algo banal, um chiclete. — uma briga que saiu do controle e terminou em morte.

Em Porto Velho, em Rondônia, uma professora foi assassinada dentro de uma faculdade, dentro de uma sala de aula, no exercício do seu trabalho.
Em Caldas Novas, uma mulher foi morta pelo próprio síndico do prédio onde morava.

Três histórias diferentes, em lugares diferentes, atravessadas pela mesma coisa: violência, descontrole, perda do valor da vida.
E, sinceramente, poderia ser Brasília, Rondônia, Goiás, Rio de Janeiro, qualquer lugar do Brasil.

Dá a sensação de que o país inteiro está contaminado por essa brutalidade, constrangido diante do que vê, endurecido na convivência, como se a agressão tivesse se tornado resposta automática.
O que mais me entristece — e falo isso sem raiva, com cansaço mesmo — é essa sensação de que estamos perdendo algo muito básico.

Onde foi parar a nossa capacidade de conter, de respeitar, de conversar?

Onde foi parar a empatia mais simples?

Não escrevo esperando respostas. Não escrevo pedindo nada.

Escrevo porque está difícil seguir fingindo que isso é normal.

Talvez, às vezes, o mais importante seja só isso: reconhecer juntos que algo não vai bem. Que a sociedade está triste. Que estamos cansados. E que não dá para seguir anestesiados diante de tanta brutalidade.
É só isso.

Uma conversa sincera. Daquelas que a gente teria se estivéssemos sentados um ao lado do outro.

Maristela Dourado
Assessora do GAB em Brasília
Texto escrito dia 7/2/26

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