Confúcio Moura
Médico, escritor, cronista
educador e apaixonado por Rondônia

Vida Selvagem (poesia)

Teu corpo é mata virgem eu, bicharada no teu cio sou o leão na tua flor sou colibri borboleta sugando teu néctar tamanduá de passando a língua onça bebendo em tua fonte jacaré vigiando de longe paca roendo teus frutos fartos quando te vejo sou arara em algazarra melhor é ser tatu te fuçando e […]

Meu tempo (poema)

meu tempo é este momento meu tempo é este momento só este único se escapar o meu tempo este agora não existirá mais tempo o cosmo virará suas costas haverá caos sem o tempo tempo  

O conto e o canto (poema)

Vozes são fatos concretos São corpos ditos e sonoros Nada diz sem que se entenda o seu sentimento O ranger de caules, o farfalhar das folhas As bocas Os bicos O sussurro do vento Lá dentro, longe e fundo Percebo Não há silêncio

Ouro Preto (poema)

o sol no nevoeiro frustra nunca tive mesada de bom aluno nunca tive nem de bom e nem mau o abuso não se apaga O seu sorriso tão amplo como este horizonte visto do alto o voo do parapente é passarinho o bosque enfeitado por duas pacas tire comigo uma selfie? para levar comigo este […]

Retratos (poesia)

Um dia momentos lindos serão apenas lembranças. Lembranças do que foi vivido, visto, tocado. Lembranças do que projetamos, das pessoas inominadas na memória, mas que marcaram com seus gestos gentis e pueris! Tudo será reduzido a retratos, histórias, legados. Os verbos serão conjugados por completo. Eu fui, sou, serei… Que possamos viver tempos felizes de […]

As culturas e os esportes

Cada lugar, por menor que seja, tem ali nele, uma tradição,  que vem rolando por gerações. Esta tradição nasceu ali, sem se explicar, como uma folia, um sapateado, rodas de conversas, as cantorias, invencionices espontâneas. As rezas, as danças, e tudo sai da natureza do seu próprio povo. E se incrusta no sangue de cada um. Na vida, na memória, na saudade. Nos costumes.

Atravessar o Brasil de ônibus

De leste a oeste, dentro do ônibus, tocando a vida entre cochilos e visões do Brasil tão grande, tão místico e colorido. Não só de cores vive um país. Foi-se o primeiro dia, dois e eu ali, parando nos pontos certos. As malas, as bolsas, as pessoas que vão ficando cansadas, transmutando-se em outros seres […]

Friagem nos trópicos

Dia 4 de agosto, domingo, Rondônia amanheceu muito fria. Este “muito” frio pode ser 15, pode ser 20 graus, ou mais ou menos. As ruas de Ariquemes ficaram  vazias como nunca. Todo mundo deixou de levantar cedo, com medo da friagem. E ficou ali, na cama, enrolado no cobertor. Quem vive na Amazônia só vê […]

A cidade que merece o rio (poesia)

Como seria este espaço Quando era somente o rio? O rio é novo, vermelho, barrento. O rio sem nome, sem pronome, o rio solidão. E agora? É tudo diferente, Tem o rio com seu nome, O Rio Madeira E a cidade de Porto Velho tem orgulho Perfeita intimidade do rio com a cidade. O Rio […]

Agro-te (poesia)

quero engarranchar em tuas pernas me atracar no teu corpo com unhas e dentes encravar no teu peito como um tamanduá bandeira e depois comer todas as formigas do teu corpo   Autora – Izabel Teixeira (Cacoal)