Confúcio Moura
Médico, escritor, cronista
educador e apaixonado por Rondônia

O idiota no restaurante francês

Nunca tinha visto falar a palavra cardápio. Ainda mais o significado dele. Meu costume, como “milico” era comer no racho do quartel. Tomar uma média de leite com café no Bar do João.  Um pão francês com manteiga. E, de vez quando, um pedaço de pudim de padaria. Lá vai o tempo passando. Evoluí muito. […]

Colcha de retalhos

Quando se lê vários livros de um autor, gradualmente, você vai se transformando nele. O estilo entra em você e dá um trabalho danado para sair de novo. O melhor que se faz é deixar entrar mesmo, deste autor repetido e de outros também. Quem sabe lá à frente, as influências formarão um trisco do […]

O coronavírus e o baile

Bichinho malvado é este bendito coronavírus. A palavra “bendito” entrou aqui no meu texto de enxerida. Na verdade, é maldito. Este bicho tem dado um baila no mundo e vai metendo a faca, sem dó nem piedade. O desenho dele já fala tudo. Uma coroa cheia de chifres para todo lado. E é colorido. Para […]

Festa de “Inleição”

Ano que vem teremos eleição no Brasil. Mais que eleição, eleições. Vai de deputado estadual a presidente. O povo está aí, experimentando tanta dificuldade, que não sei, francamente, para que lado irá pender. Tem o discurso fácil, bonito, empolgante – como se diz, populista, que promete, promete, promete e termina convencendo muita gente. E depois […]

O Delegado “calça-curta”

Delegado “calça-curta” era o modo de se falar. Ninguém do interior do Brasil poderia dizer se haveria alguma diferença, entre um formado em lei e o outro formado na vida. Isto tudo em décadas longínquas. Hoje em dia a coisa é outra. Não há mais a figura do delegado nomeado de ouvido. Mas, a coisa […]

Ser do contra

Ariquemes, 3 de junho de 2007. Confúcio Moura Acho que sou do contra.  Porque ser contra me seduz avidamente. Creio que ideologia e pensamento sejam genéticos, vêm de dentro. Hoje quero me deslanchar neste mundo tobogã. Descer ladeira abaixo zunindo. Falar de coisas ardentes. Meter a colher de pau em certos princípios.  Bem claro: não […]

Tulum

A lucidez arrancada nas ruínas. Era para ser um simples passeio, para se preencher o espaço do dia. Índios com suas vestes festivas dançam em torno de um poste enfeitado, num ritual ancestral. Há ritmo em Tulum. Até mesmo do próprio pensamento. Que fica inquieto na busca de algum motivo para se ver as ruínas […]

Bia Goulart – “apareceu a margarida”

Bia Goulart sumiu. Depois de quatro anos deu sinal de vida. Gracias.  Ela que é arquiteta devotada a um modelo pouco trivial, a de construtora de uma educação inclusiva, tanto em prédios como em humanidade. A escola humana, que aponte um rumo igual para todos. Como cheguei a ela, numa cidade tão grande como São […]

A sorte

Fico imaginando o que seja sorte. O que mais se ouve é que fulano e beltrano tiveram mais sorte. Sorte porque subiram na vida, como tivessem subidos mais degraus na escadaria.  Então, vem mais esta, o que venha ser subir na vida. A gente vai andando na horizontal, um aclive, decline, a planura e não […]

O quase professor

Eu tinha 6 anos de idade quando fizemos a primeira arribada. O destino era a cidade de Goiânia. No ano da graça de 1954, a mudança mal-arrumada num pau-de-arara. Eu me lembro, ainda na estrada, a notícia da morte de Getúlio Vargas. O caminho seria longo. Arenoso, pedregoso, infinito. Campinas ondulantes, longe a sombra da […]