Quando assumi o governo de Rondônia, decretei estado de calamidade pública na saúde. A situação era realmente grave — coisa de tirar o sono.
Fiquei aflito, perdido, apelando até para São José: “E agora, o que faço?”
No Pronto-Socorro João Paulo II, pacientes estavam sendo atendidos no chão. A Policlínica Oswaldo Cruz funcionava em um galpão improvisado na zona sul — um verdadeiro sufoco para profissionais e doentes. E o JP contava com apenas dez leitos de UTI.
Pensei em tudo. Viajei ao Rio de Janeiro para conhecer modelos de hospitais pré-moldados em aço naval. Voltei decidido a agir rápido.
Passei dias rodando os arredores do João Paulo II em busca de um terreno. Nada disponível. Até que encontrei um pequeno motel desativado e, ao lado, uma modesta igreja evangélica de madeira. Mandei localizar os proprietários, pedi avaliação técnica e decretei a desapropriação por interesse público.
Tudo dentro da lei: avaliado, pago e demolido.

Em tempo recorde, construímos ali a AMI — Assistência Médica Intensiva — com 40 leitos para reforçar o atendimento do JP.
Missão cumprida. Vida que segue.
Mas, anos depois, veio a dor de cabeça: um processo me acusando de superfaturamento na compra do motel e da igreja. Nunca negociei valores pessoalmente. Nunca vi os donos. Apenas fiz o que precisava ser feito diante da urgência.
Aprendi, então, que no serviço público nem sempre a boa intenção basta.
Brinco dizendo que talvez as reclamações de antigos frequentadores do motel e de alguns fiéis tenham se unido em uma espécie de “corrente espiritual” contra mim — porque passei doze anos peregrinando pelos desertos da Justiça.
Até que, enfim, um juiz iluminado reconheceu o óbvio: o interesse público falou mais alto.
E valeu a pena.