A lei do meu pai: uma profissão e o estudo

A lei do meu pai: uma profissão e o estudo

Meu pai me dizia:

— Você vai para a escola, mas vai aprender também uma profissão. Se não der certo uma coisa, terá a outra para garantir o sustento.

Essa pregação valeu para os três filhos mais velhos. Para mim, sobraram a sapataria e a selaria, entre os 13 e os 15 anos. Ele me colocou com o mestre Exupério Paulo de Oliveira. Comecei no curtume, raspando couro de boi e de bode dentro de um tanque malcheiroso de curtição.

Na segunda etapa, fui promovido a engraxate. Aprendi a fazer meia-sola, cabrestos e a enformar botinas.

Na profissão alternativa, a carpintaria, trabalhei na oficina de Zé de Bento, excelente profissional que dominava todos os aspectos do ofício. Fazia desde móveis maciços em madeira de lei, portas e janelas, até o madeiramento completo de uma casa, com vigas encaixadas, caibros e ripados.

Eu ficava ali ajudando, lixando, raspando, varrendo e segurando as pranchas. Na escola, também me virava bem. Era metido a orador, declamador de poesias e rezador de terço na capela.

Certo é que não tenho nada a reclamar.

Dos mestres da escola e das profissões em que fui iniciado, só guardei amizades. Cheguei até a ser padrinho de batismo de um dos filhos do Zé de Bento.

Por isso, defendo a educação profissional. A gente aprende com as mãos e com o cérebro. Em qualquer profissão, existe a possibilidade de se tornar um grande artista.

 

 

Fotos ilustrativas geradas por IA

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