Amo Ariquemes. O amor feito com as mãos. O pioneiro era como Adão no início da criação. A rua de tocos em brasa não existe mais. Ela foi construída com a lâmina do machado, corrente de aço.

A cidade, como Brasília, foi dividida em setores: residenciais, comerciais e industriais.
A floresta derrubada, encoivarada e queimada
Tocos fumaceando por meses
Ninguém se atinava para as consequências
O homem primordial não existe mais

Era o progresso, mesmo que ninguém tivesse valorizado o silêncio
Clareiras e esqueletos de árvores aflitas
Os postes de ferro enterrados por Rondon
Os fios de cobre derrubados pelo tempo
Casas de madeira, telhas de amianto, nuvens de mosquitos maruins, frestas nas paredes, vigas expostas por onde desfilavam bandos de ratos, baratas pelos cantos, lama nas ruas, o carro atolado, gemendo de dor.

A balsa do Rio Jamari, o minério no vale do Massangana, o couro do gato pintado, o cão domado para caçada da onça, o sacrifício por cima do sonho.
Ninguém imagina o ontem porque estamos no hoje. Hoje é outro dia. Amanhã não existe.
Esqueça o drama épico do pioneiro desvairado, abraçado à esperança. Ele acreditou e, com suas próprias mãos, ajudou a transformar Rondônia em uma nova civilização.