Confúcio Moura
Médico, escritor, cronista
educador e apaixonado por Rondônia

O lixo e as flores

O título é bom para se mostrar contrastes. Para dizer que o ciclo das coisas não para. Que uma coisa vira outra. Que a vida é passageira. Que o lixo já esteve nas mesas. Que já fez parte dos objetos da casa. Que se desfez. Ressuscita em flores jubilosas. Que os andrajos são humanos andantes […]

A escada rolante

A escada rolante da rodoviária de Brasília está quebrada pela enésima vez. Velhos andrajos, cadeirantes, penam para subir degrau a degrau ou carregados. Acabou-se o romantismo da rodoviária. Não é mais a atração turística de anos atrás. O banheiro sujo, como sempre, o rabisco erótico na parede. Nada feito. Cadê Nicolas Behr com seus poemas […]

O idiota no restaurante francês

Nunca tinha visto falar a palavra cardápio. Ainda mais o significado dele. Meu costume, como “milico” era comer no racho do quartel. Tomar uma média de leite com café no Bar do João.  Um pão francês com manteiga. E, de vez quando, um pedaço de pudim de padaria. Lá vai o tempo passando. Evoluí muito. […]

O Delegado “calça-curta”

Delegado “calça-curta” era o modo de se falar. Ninguém do interior do Brasil poderia dizer se haveria alguma diferença, entre um formado em lei e o outro formado na vida. Isto tudo em décadas longínquas. Hoje em dia a coisa é outra. Não há mais a figura do delegado nomeado de ouvido. Mas, a coisa […]

Tulum

A lucidez arrancada nas ruínas. Era para ser um simples passeio, para se preencher o espaço do dia. Índios com suas vestes festivas dançam em torno de um poste enfeitado, num ritual ancestral. Há ritmo em Tulum. Até mesmo do próprio pensamento. Que fica inquieto na busca de algum motivo para se ver as ruínas […]

O gambá

Quando recebi a mijada de um gambá, imaginei, tudo na minha vida daria errado. Porque o bicho guarda um líquido fedido, mas tão fedido que pode se lavar com água corrente e sabão de barra que não tira o cheiro. Não havia outro jeito, porque já estava a caminho de Goiânia para iniciar uma outra […]

Cardápio QR CODE

Anos atrás fui conhecer a Itália. Alice, Isadora (neta) e eu. Como sempre, línguas estrangeiras não manjo nem para o gasto. Coisa simples, como: sabão, não sabia falar nem inglês nem italiano. Saí para comprar sabão. Primeiro, corri os corredores do mercado inteiro procurando. Não achei. Tive que me comunicar por gestos. Esfregar a camisa, para […]

Artista e pandemia

Ninguém padeceu mais do que os músicos, atores, palhaços na pandemia. Não dá para dizer de padecimentos. Porque houve uma dor geral. Inclusive, na morte rápida, esganadura cruel, torturante. Mas, foi assim. Aos poucos vão se abrindo os cinemas, os teatros, os circos. Tudo vai se arrumando, ajeitando o corpo e a voz. Com uma […]

Trincheiras,  Besteiras

Este poema é de autoria da minha neta: Isadora Martins Moura. Trincheiras , Besteiras, Ambos protegem, com a casca dura os ataques que são atirados da direção oposta. Seja de cimento, o forte Ou de brincadeira, No final das contas Quem se salva também atira. Recíproco, Lá vem bala! Análise, É tiro ou é doce? Você […]