Se acho minha mãe (foto), mulher extraordinária (falecida), acho também a sua mãe do mesmo jeito, e tem tantas, bem perto da gente, parentes, vizinhas, outras que se veem nas ruas ou não, mas, existem. São para elas este dia. Não o mesmo dia, como o ontem, dias de maio, agosto, mês passado. Não é. Ou até pode ser. Mas, o 8 de março é para se falar das mulheres, da maioria delas no mundo inteiro, as ucranianas que estão nas estradas em fuga, as perseguidas em tantos conflitos. As negras, as indígenas que se arrastam nas jornadas do dia a dia. O rosário de gritos, as orações de todos os dias, as jornadas de todos os dias, o milagre de todos os dias, a abundância de amor pelos filhos, o suor na face, o olhar no horizonte – é por aí. Nem preciso dizer dos direitos, dos salários, das ofensas, dos assassinatos das mulheres. E para estes temas, que há este dia especial, para que se possa agradecê-las, abraçá-las, admirá-las e pegar a enxada para lavrar os caminhos, que ainda serão longos, para que as mulheres possam andar, ver horizontes, olhar para frente e para trás e se sentirem seguras e amparadas. Eu falo com razão das mulheres, porque na minha família só tenho mulheres, duas filhas e três netas. A todas as mulheres do mundo estendo os braços no globo e sinto todas elas perto de mim, neste abraço tão fantástico.
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