Quando cheguei à Câmara dos Deputados, início de 1995, mês de maio, o salário-mínimo era 100 reais. Somente, em junho de 2002, chegou a 200. Transcorria o Governo do FHC. Estava por lá, um deputado que brigava pelo aumento do salário-mínimo. Que era irrisório. O Paulo Paim, combativo parlamentar do PT do Rio Grande do Sul.
O discurso dele era este. E repetia. Repetia. Fazia projetos. Percorria ministérios. O sonho dele e de muitos outros era que o salário-mínimo chegasse a 100 dólares. E nada. Paulo Paim é um político extraordinário. Persistente. Insistente. Não desiste nunca. Hoje, é Senador. Continua do mesmo jeito. Tem vários estatutos que ele brigou até implantar: do Idoso; da Pessoa com deficiência; Lei de quotas e por aí vai.
Eu me sento no plenário pertinho dele. Ele chega, senta-se, fica quieto, todo mundo passa e o cumprimenta. Ele faz seu discurso diário. Senta-se de novo. E dele só irradia coisa boa. Foi aluno do SENAI. Aprendeu uma profissão. Antes vendia frutas em Porto Alegre e Caxias. Foi sindicalista. Ele não para de pensar. Tem sempre um desafio a vencer.
De vez em quando tem ataques de gota. Os pés incham. Já chegou a usar cadeira de rodas. Não sossega. Acho que o Paim já tem uns 40 anos de atividade política. Se eu tivesse que votar para escolher o melhor senador – eu votaria nele. Ainda não está satisfeito com o valor do salário-mínimo – lá atrás queria 100 dólares, hoje, é de RS 1621,00, cerca de 320 dólares.
Parece um sonho, mas, Paim não está satisfeito, para ele o salário-mínimo deve manter uma família com toda a dignidade possível.