Eu vinha atravessando os anos 90 como um “revolucionário” cheio de ideais transformadores. Na reeleição a deputado federal, campanha à moda antiga, com comícios, carros de som, porta a porta, reuniões e por aí vai.
Colina Verde era uma comunidade escondida atrás de morros, entre Jaru e Cacaulândia, beirando uma reserva indígena, de região acidentada e terra boa. Só ia lá quem tinha algum negócio. Não havia luz elétrica nem estradas, só carreadores.
Tinha por lá alguns amigos, como Zé Fininho, Jamirão, e outras famílias vindas de Ariquemes, que foram pra lá, puxar madeira e outras aventuras. Eu já andava por lá fazendo minhas promessas – como levar luz, arrumar a escola e abrir estradas boas para a sede do município, Governador Jorge Teixeira (ex-Pedras Brancas).
Pois bem, almocei na casa do Jamirão, líder local com uma família enorme, e pedi seu apoio. Ele me disse: – Pois é, Confúcio, não tenho como me deslocar para os sítios onde o povo está. Por lá, ainda não havia motocicletas e ninguém tinha carro, a não ser alguns caminhões toureiros.

E o que você precisa? – perguntei. Ele me falou: – Um burro arreado. Disse: – Negócio fechado. Mando-lhe o burro, você faz minha campanha e depois você fica com ele. Dito e feito. Cumpri o prometido e ele cumpriu a parte dele. No fim, deu tudo certo. Hoje, Jamirão reside em Campo Novo de Rondônia.