Bolo de puba

Bolo de puba

Tenho guardado no cérebro meus gostos ancestrais. Como sertanejo raiz, fui comedor e apreciador da culinária dos antigos, pobres sertanejos. Buriti, pequi, baru, fava, mandioca, milho, carne seca, arroz socado no pilão, etc., a culinária de uma casa era igual a de outras casas. Todo mundo comia muito e era magro.

Há dias estava com vontade de comer bolo de puba. Uma massa azeda, da fermentação da mandioca na água, que dela se fazia quase tudo. Gosto azedo, cheiro também, que fazia muito tempo que não sentia. A puba veio da tia Cleuza, que mora em Boa Esperança, distrito de Damianópolis a 400 km de Brasília – a ISAINA, prendada como ela é, sem receita, foi seguindo sua intuição de sertaneja. Fez o bolo.

O bolo de puba, pra mim, deve ter a mesma sensação para um jovem descolado de hoje, com um sanduíche do McDonald. Senti o seu gosto como uma viagem ao sertão ermo e bruto em que nasci, me senti como um ressuscitado

Deixar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.