Unidade não é unanimidade. E é exatamente isso que define um verdadeiro partido de centro. Um partido que aceita a divergência, que convive com opiniões diferentes e não tenta impor um pensamento único. Ainda mais quando falamos de um partido democrático como o MDB.
Talvez seja justamente por isso que o MDB seja o partido mais antigo do Brasil. Ao longo do tempo, conseguimos acomodar pessoas das mais variadas tendências políticas, sem exigir alinhamento cego ou pensamento padronizado. Isso não aconteceu por acaso. Foi um processo construído com muito esforço e, sobretudo, com coragem.
Durante anos, estivemos simplesmente na oposição à ditadura militar. O MDB foi o partido da resistência, da defesa da democracia, das liberdades políticas. Foi um período duro, mas também heroico. Houve um tempo em que o MDB se tornou um grande guarda-chuva político. Partidos e lideranças de esquerda vieram compor nossos quadros enquanto aguardavam a redemocratização do país. O MDB estava ali, firme, sustentando o espaço democrático.
Hoje, vivemos outra realidade. Temos partidos políticos demais. Governar o Brasil com esse excesso de siglas virou um enorme desafio. Abre-se espaço para composições estranhas, verdadeiros “balaios de gato”, com líderes demais, interesses demais sendo negociados ao mesmo tempo — o que acaba enfraquecendo o próprio presidencialismo.
Daí surgem mil anomalias: governo de coalizão, de cooperação, de cooptação… No fim das contas, tudo isso se traduz no velho e desgastante “toma lá, dá cá”, que tanto prejudica a política e afasta a população.
Como presidente do MDB em Rondônia, tenho adotado uma postura clara: dar liberdade aos diretórios municipais. Incentivo rodas de conversa, escuta ativa dos filiados, respeito às posições individuais. Política se faz assim, com diálogo, jogo de cintura e maturidade democrática. Meu papel tem sido chamar todos para o centro — esse espaço onde a tolerância não é discurso, é prática.
Ainda temos um longo caminho pela frente. O amadurecimento político-partidário no Brasil é um processo em construção. Precisamos chegar ao ponto em que alguém possa nascer em um partido e permanecer nele por toda a vida. Hoje, infelizmente, troca-se de legenda como se troca de camisa — sem constrangimento algum.
Unidade, sim. Unanimidade, não. Essa sempre foi — e continua sendo — a essência do MDB.